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Modificar para melhorar

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“Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos”. Eduardo Galeano, escritor uruguaio.

Minha paciência já tinha esgotado quando a secretária anunciou: “O engenheiro já pode recebê-lo agora!” – Afinal, cheguei na hora marcada 16:00 horas e passava das 17:30; uma hora e meia de atraso!

Jovem, cerca de 30 anos, cabelo príncipe Danilo, terno bem cortado; um típico Geração Y! Falou, inicialmente, de sua formação em Engenharia da Produção na Escola Politécnica da USP, enquanto intercalava algumas frases em um inglês precário, macarrônico mesmo. Na realidade, ocupa uma posição-chave na Área de Produção daquela montadora do ABC, mas duvido que saiba distinguir um torno de uma fresa.

“Estou com excesso de resíduos resultantes do tratamento térmico de peças na linha de produção. Não sei onde enfiá-las!” desabafou quase que histérico. – Falei-lhe detalhadamente sobre Produção Limpa. Disse que ela significa a aplicação contínua de uma estratégia econômica, ambiental e tecnológica integrada aos processos e produtos, a fim de aumentar a eficiência no uso de matérias-primas, água e energia elétrica, por meio da não geração, minimização ou reciclagem de resíduos gerados. – Só não disse onde ele deveria “enfiar” os resíduos!

Acordamos, em função do adiantado da hora, uma palestra sobre o tema “Produção Limpa pela Metodologia Kaizen”, na semana seguinte, quarta-feira, pela manhã. Os participantes seriam todos os supervisores e líderes de equipe da Área de Produção daquele setor da montadora. Na terça-feira, final do período da tarde, a secretária anuncia que a palestra do dia seguinte tinha sido adiada e que o engenheiro iria me contatar para um novo agendamento. Mas, não houve mais nenhum contato, embora a iniciativa do primeiro fora dele mesmo.

Modificar para melhorar vem do conceito Kaizen, do ideograma japonês(kai = modificar e zen = melhorar). Sua filosofia e seus conceitos tiveram origem na Universidade Imperial de Tóquio (a quarta no ranking das 100 melhores do mundo). USP (onde se formou o engenheiro), ITA, UNESP, UNIFESP, UERG, UMG, entre outras ditas de primeira linha, não estão posicionadas no ranking das 100 melhores do mundo.

Modificar para melhorar traduz técnicas que possibilitam resultados de melhoria na qualidade com baixo custo e, portanto, aumento da produtividade. Modificar para melhorar une a filosofia, os sistemas e as ferramentas na solução de problemas, partindo do princípio que sempre é possível melhorar; fazer melhor por meio da eliminação de toda e qualquer perda. – É o que se conhece como princípio do Não-Custo. Esse princípio baseia-se na crença de que a tradicional equação Custo + Lucro = Preço deve ser substituída pela equação Preço – Custo = Lucro. A única e justa forma de aumentar ou manter o lucro é por meio da redução dos custos.

Agora, os custos ocultos, resultantes da má formação técnica e interpessoal, ignorância, prepotência e deficiência de comunicação de pessoas-chave de empresas são quase que invisíveis. Uma equivocada postura e compostura no processo de comunicação empresarial faz com que palavras e fatos não se encontrem; quando se encontram não se cumprimentam porque não se reconhecem. Nesta Botocúndia (leia-se Brasil), os nossos “exemplos” estão anos-luz distantes da arte musical de Bach, da física de Planck ou da literatura de Machado de Assis.

Eu soube, recentemente, que tal engenheiro continua forte e firme lá na montadora do ABC. – E os resíduos também!

Autor: Paulo Augusto de Podestá Botelho é Professor, Escritor e Consultor de Empresas. Membro-Docente da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. www.paulobotelho.com.br

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Uma resposta para “Modificar para melhorar”

  1. Avatar of Hiroaki Kokudai

    Concordo com o Paulo Botelho.
    Primeiro é falta de qualidade não cumprir com horários.
    Segundo falta humildade em muitos engenheiros que não vão ao local onde as coisas acontecem (gemba, em japonês). Acham que o SAP ou o BAAN resolvem tudo! Não foi assim que a Toyota e a Honda se tornaram montadoras excelentes.
    Terceiro: queria acrescentar que na primeira parte do ideograma japones KAIzen, mostra: eu mesmo + sacrificio, flagelação, mostrando que não é fácil mudar paradigmas, sair da zona de conforto. Na segunda parte kaiZEN, mostra uma coisa boa sendo oferecida num altar. Bem que papai dizia que os kanzis (ideogramas) tinham muita profundidade.
    Sou consultor de Lean/Kaizen/5S etc e quero que o Brasil seja um país melhor, mas para isso precisamos ter mais 5S e diminuir os desperdícios!!! Hiroaki

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