A fronteira eficiente e seu uso em cenários futuros de portfólio de projetos



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O Gerenciamento de Portfólio

Quais projetos devem ser selecionados hoje com uma visão em cenários futuro? Uma das atividades dos processos de Gerenciamento de Portfólio consiste na apresentação de uma lista de projetos para que a alta administração da organização patrocinadora possa selecionar e priorizar os projetos, novos e em andamento. Uma representação do portfólio em um gráfico de bolhas, normalmente utilizado, pode estar representando uma pontuação de risco, onde o retorno do investimento e o orçamento autorizado, são representados pelos eixos horizontal e vertical, respectivamente. A cor cinza escura são os novos projetos propostos e o cinza mais claro são os projetos em andamento.

Figura 1. Portfólio de projetos. Risco por Retorno e Investimento.

A alta administração poderia definir e selecionar apenas os projetos com os seguintes critérios de corte: “Retorno acima de 15 pontos e Risco inferior a 65 pontos”. Porém o projeto de número 106 é uma exigência legal, e portanto obrigatório. Por não haver retorno financeiro, é uma exceção. A solicitação de esclarecimentos sobre os projetos em andamento estão fora desses critérios dos novos projetos.

A Fronteira Eficiente

O trabalho Portfolio Selection proposto por Harry Markowitz (1952) alertava para que os investidores em bolsa de valores tivessem foco na seleção do portfólio de ações, e que deveriam prestar atenção somente em suas características gerais de riscos e retorno, e não em avaliações individuais. Investimentos deveriam ser tratados como variáveis aleatórias e atribuídos valores esperados, desvios-padrões e correlações. A decisão do investimento deve ser baseada em um portfólio balanceado de risco e retorno, que Markowitz chama de “fronteira eficiente” 

Figura 2. Fronteira Eficiente.

Algumas ferramentas de Gerenciamento de Portfólio no mercado utilizam o conceito de Markowitz. Enquanto esse descreve portfólio como listas opções de investimentos na bolsa de valores, as ferramentas utilizam uma lista de projetos a serem aprovados em opções de cenários futuros.

Análise de Cenários

A análise de cenários apoia o planejamento estratégico com o objetivo de produzir várias visões futuras. Ela pressupõe estados futuros que representarão as estimativas de comportamento do mercado, como um conjunto de variáveis e fatos atuais para conseguir um conjunto de interdependências que conduzem ao cenário futuro.

O exemplo a seguir consiste em 20 projetos, os quais estão identificados em programas pelo número inicial da identificação. Cada um é apresentado com três cenários possíveis de projetos a serem empreendidos, com valores representados em pontuações de risco e retorno conforme Tabela 1. 

Tabela 1. Cenários.

Os cenários em análise (ou portfólio de opções de projetos autorizados) possuem retorno de investimento médio e desvio padrão de risco, respectivamente: “Cenário 01” com 16,1 e 11,8; o “Cenário 02” com 16,4 e 13,3; e o “Cenário 03” com 17,8 e 12,2.

A representação gráfica desses cenários e a Fronteira Eficiente, representada pela curva com todas as combinações possíveis de projetos, permite concluir que o “Cenário 03” está melhor posicionado próximo a eficiente fronteira.

Figura 3. Cenários e fronteira eficiente (FE). Desvio Padrão de Risco por Média de Retorno.

Portanto, a seleção do portfólio de projetos do “Cenário 03” poderá fornecer um retorno médio e menor variação de risco, e a segunda opção de seleção será o “Cenário 02”.

Conclusão

Os projetos em andamento podem ter maior precisão em suas informações e riscos. Já os novos projetos têm estimativas com um grau adequado de precisão e uma forte carga de pressupostos. Todos os projetos estão em risco dadas as incertezas do cenário escolhido, porém quando da decisão de empreendê-los, todos devem trazer valor à organização devido aos investimentos realizados ou a realizar. O modelo de cálculo da Fronteira Eficiente auxilia a tomada de decisão. Pode-se utilizar a sua curva ou uma simples tabela e escolher a maior média de retorno e o menor desvio de risco.

Deve ficar claro que o Gerenciamento de Portfólio só é aplicado quando a organização aceita o conceito de projetos e ou programas, pois uma questão que pode e deve ser levada em conta é a dependência entre projetos.

Tal dependência pode ser solucionada pela aplicação do conceito de gerenciamento de programas, considerando este como um conjunto de projetos coordenados que possibilitam um melhor resultado quando comparado ao gerenciamento de projetos realizado individualmente.

A Fronteira Eficiente permite apresentar aos tomadores de decisão diversos cenários futuros e decidir qual portfólio de projetos deve ser selecionado segundo a estratégia de riscos da organização. Entretanto, Markowitz reconheceu que antecipar o futuro pode ser tanto uma arte como uma ciência.

Referências Bibliográficas

  • HP Portfolio Management User’s Guide, March 2007.
  • The Standard for Portfolio Management – Second Edition. PMI, 2008.
  • The Standard for Program Management – Second Edition. PMI, 2008.
  • Uso do Gerenciamento de Portfólio – Clarity 8.0, CA Segunda Edição, 2007.
Autor: Luis Augusto dos Santos, PMP




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