O gestor e a globalização



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“O dinheiro foi inventado para que as pessoas não precisem se olhar nos olhos”. Jean-Luc Godard, cineasta francês.

Terno azul-marinho de impecável corte em alfaiataria, gravata amarelo-ocre, aparência de no máximo 35 anos de idade, tem a cara de quem comeu e não gostou, mas de quem continuará comendo. E muito. É do tipo que não olha nos olhos de seus interlocutores; visualiza e toca, apenas, no arranjo de seus papéis sobre sua mesa de trabalho. Dito Gestor Corporativo de Recursos Humanos de uma multinacional do ramo de computadores, ele me recebeu em sua confortável e refrigerada sala naquela quarta-feira calorenta de outubro. Demonstrando uma falsa cordialidade, foi logo dizendo: “Por recomendação do nosso Diretor de Produção que participou do Curso Seis Sigma que você ministrou na FIESP, mandei te chamar para fazer uma avaliação. “Estamos pensando em realizá-lo “In Company”. Você tem 5 minutos para expô-lo”. Naquele momento, lembrei-me de Octávio Gaspar de Souza Ricardo, Professor-Emérito do Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA, que dizia: “Quem não sabe explicar o que faz em 15 minutos é porque não sabe o que faz”. Mas, em 5 minutos, achei inviável.

Por ser uma metodologia que visa a descomplicação, concentrei-me no seu alcance sistêmico. Disse a ele que Seis Sigma é uma filosofia sistemática concentrada em eliminar erros, desperdícios e retrabalhos. Não é um programa ingênuo, baseado em aspectos behavioristas, mas que estabelece um status mensurável a ser alcançado. “Não, não acho que seja isso!”, interrompeu-me irritado. E começou a gabar-se de um MBA em Psicologia Organizacional que freqüentou na USP. Enfatizou que a corrente behaviorista é a mais adequada para as empresas por produzir respostas frente à globalização. “Obtenho o que eu quiser das pessoas aqui na Empresa  com estímulo-resposta”. Fiquei pensando na quantidade de cenoura que ele distribui por lá! A conversa terminou no ponto em que ele afirmou “ser a neurolinguística, em conjunto com cursos motivacionais em dinâmica de grupo, a mola-mestra de sua linha de gestão”.

Acho importante esclarecer, com este artigo, o aspecto estrutural da globalização, tantas e continuadas vezes explicada como adjetivo, e não como substantivo. Ela é a resposta do capitalismo à organização dos trabalhadores. “A globalização nos instala em um mundo indesejável, dominado pela lógica especulativa, pela destruição da ordem internacional sem necessidade de maiores explicações”, analisa o escritor mexicano Carlos Fuentes. Eis aí, a lógica burra do capital globalizado: destruir as duas pilastras sobre as quais ele se constrói, que é a força de trabalho, dispensando-a pela automação e a natureza, com seus recursos a exaurir. Saí daquela sala com duas frustrações: não ter conseguido completar uma venda encaminhada de meu produto testado; e por constatar que aquela empresa paga um alto salário para um cretino; sem retorno de investimento!

Autor: Paulo Augusto de Podestá Botelho, é Professor e Consultor de Empresas. www.paulobotelho.com.br





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