Detalhes… não são Detalhes para o Gerente Eficaz
Na disciplina de gerenciar pessoas, recursos e tarefas com eficiência e eficácia nem tudo se resume em objetivos, planos e estilos de liderança. Há detalhes que costumam escapar da atenção dos profissionais da área, e que os grandes teóricos tendem a ignorar solenemente.
Exemplos? Vamos lá…
É incalculável o número de trapalhadas e a ineficiência causadas por perguntas vagas -“está tudo sob controle?”; “você entendeu?” – ou por exortações baseadas em linguagem genérica: “espero que você tudo de si para o bom andamento do projeto!”
Seria preferível verificar, ponto a ponto, o quê se supõe que esteja sob controle e bom andamento e ouvir atentamente a resposta do subordinado acerca de questões como prazo, custos, dificuldades, etapas do plano, problemas potenciais, disponibilidade de recursos etc.
O que quero dizer é que o gerente eficaz traduz (especifica) o significado operacional ou comportamental da exortação “dar tudo de si”, que tanto pode ser pontualidade, obediência ao cronograma, relatórios diários, informar desvios em relação ao planejado e assim por diante.
Evita-se, assim, problemas de interpretação: “eu pensei que tinha entendido…”
Outro exemplo de táticas negligenciadas para obter resultados envolve o uso da pergunta certa e certeira, proferida no tom e com a dosagem de autoridade adequada. Lembre, caro leitor, que nem sempre a qualidade da resposta é congruente à qualidade da pergunta. Contudo, a recíproca – perguntas mal formuladas – não é verdadeira, pois tende a suscitar respostas de baixa qualidade: sim, não, está tudo sob controle, fique tranqüilo…
Em trabalhos recentes colhi três exemplos em que gerentes de diferentes empresas buscam informações e, quero acreditar, de resultados:
– “Sei que estamos atrasados, mas o relatório financeiro vai estar pronto para a reunião de amanhã?” – “Você já identificou onde cortar 10% dos custos do Departamento?” – “Os backups estão sendo feitos?”
Se não estivesse por perto, diria que tais perguntas foram feitas por um estafeta e não por gerentes profissionais. Em comum, elas apresentam três inconvenientes.
Primeiro, há o risco de obter respostas parciais ou inconclusivas que não asseguram que o relatório, que a análise dos custos e que os backups estão sendo feitos dentro do prazo e com as especificações esperadas. Importante: quem decide o que relatar é o subordinado e não o gerente.
Segundo, por serem genéricas estão sujeitas à múltiplas interpretações, induzindo o gerente a supor que está tudo sob controle quando não é o que acontece.
Terceiro, tal como formuladas, elas não transmitem o necessário senso de importância, urgência e responsabilidade que as circunstâncias exigem.
Dito e feito: nos três casos que presenciei colheu-se um rosário de justificativas e confusões semânticas. Coisas do tipo: “disse que estava indo bem, não que estava perfeito…” E adivinhem só quem plantou a confusão? Isso mesmo, os próprios gerentes.
Lembre-se que o gerente eficaz cobra desempenho e não empenho, resultados e não justificativas, fatos e evidências concretas e não promessas e boas intenções. Portanto, uma abordagem profissional teria um formato parecido aos exemplos abaixo:
– “O que você está fazendo (ou pretende fazer) a partir de agora para apresentar, impreterivelmente, o relatório financeiro até as 14 horas de amanhã para que possamos trocar ideais antes da reunião de Diretoria marcada para as 16 horas?” – “Quais os principais pontos do seu plano de redução de custos para o Departamento? Preciso fazer uma avaliação preliminar, pois você irá me assessorar na reunião do conselho administrativo na próxima terça. – “Quem é responsável pelos backups? No passado quanto tempo tem demorado para que as fitas estejam prontas? Que problemas tem surgido e o que você tem feito para solucioná-los?”
Detalhes, prezados gerentes, detalhes… Agora, se você julga que não dispõe de tempo para essas miudezas é melhor rever os conceitos e mudar a postura. Os futuros problemas e crises estão nos detalhes; o maior perigo é o perigo oculto, aparentemente insignificante.
Enfim, detalhes não são apenas detalhes como supõe a nossa vã filosofia gerencial.


Publicado em: 15/04/2010







Muito bom!
Tomando esse cuidado, leva o funcionário a fazer parte da decisão, sente-se incluído e com a responsabilidade de contribuir de forma efetiva para que o projeto se conclua da maneira esperada.
Oi Marilza, agradeço o comentário e sim, você está certa:a forma de comunicação eficaz deve, além de ser clara e especifíca, envolver o colaborador na análise e solução de problemas.
O problema esta quando o seu gerente/ gestor se fecha em seu mundo, não quer ouvir ou tentar achar estes “detalhes” achando sempre que seu ponto de vista é o correto e coerente, nos deparamos com pessoas assim o tempo inteiro, tudo talvez se resuma em “problema de comunicação” ou a “falta de tempo” para treinar este tipo de reflexão que considero tão importante para o desenvolvimento pessoal e para a organização.
Grande partes de problema internos dando em chão de fábrica, estão ocasionados por
Gerentes que se julgam ser donos da verdades.E nos são somos temos teorias que na maioria das vezes sempre nos pregam peças.Por isso temos que formar uma boa aliança para que nossas perguntas tenham respostas coêsas.