QI + QI = $

À primeira vista, o título acima pode causar estranheza, mas representa uma equação real e verdadeira aplicada ao atual mundo corporativo global.

O primeiro QI se refere ao quociente de inteligência, cuja origem remonta à França no início do século passado.

No ano de 1905, os franceses Alfred Binet e Theodore Simon criaram uma escala para avaliar crianças que necessitavam de reforço no seu aprendizado escolar.

Mas foi em 1912 que Wilhelm Stern introduziu o termo QI, quociente de inteligência, relacionando a idade mental com a idade cronológica da pessoa.

O QI era calculado através de testes, desde os mais fáceis até os mais difíceis e complexos, calcado na capacidade da criança em buscar soluções lógicas e sempre considerando sua faixa etária.

De acordo com Lewis M. Terman, a classificação do QI era a seguinte:

Em 1939, o pesquisador David Wechsler desenvolveu o primeiro teste de QI para adultos, testes estes calibrados para que o resultado médio fosse 100, considerando um desvio padrão, para mais ou para menos, de 15, eliminando o sistema anterior das idades, e onde sua classificação era:

Algumas pesquisas vem demonstrando que os portadores de QI mais elevado são as pessoas com maior potencia de realização, tanto pessoal como profissional.

Outras pesquisas mostram que a inteligência das pessoas vem aumentando com o passar do tempo, fato este relacionado a vários fatores, entre os quais podemos destacar:

  • o Ser Humano está vivendo por mais tempo; portanto, fica mais exposto a informações, estímulos variados e desafios constantes;
  • devido à tendência das famílias terem menos filhos, os pais são mais dedicados ao aprendizado, deles e dos filhos;
  • o mundo globalizado exige das pessoas mais conhecimento, o que as faz conhecer novos costumes, novos idiomas e novas culturas;
  • o trabalho é cada vez mais intelectual do que braçal, o que obriga as pessoas a uma atualização constante e permanente;
  • a tecnologia, como um todo, acaba tendo um papel importante no desenvolvimento da inteligência humana.

Fiz esta pequena introdução para voltar ao primeiro QI do título deste texto.

Em um mundo corporativo globalizado, este QI significa estar preparado para exercer uma função. Isto implica em ser consciente do seu CHA (conhecimento, habilidades e atitudes), ter suas competências desenvolvidas e suas potencialidades em alta; em suma, é conhecer-se e saber o que pode oferecer ao mundo.

O segundo QI do título significa “quem indica”.

Esta expressão, durante muitos anos, teve o significado de “padrinho” ou “pistolão”, ou seja, recomendar uma pessoa a outra, principalmente no que diz respeito à colocação, emprego, etc., mesmo que a indicada não tivesse o perfil exigido e onde as entrevistas, análise de currículos, dinâmicas e prestação de concursos eram relegados.

Com esta conotação, ainda podemos ver situações deste tipo de QI, principalmente no âmbito político e no que se refere à prática do nepotismo.

Entretanto, no âmbito corporativo, este QI tem outro significado.

Como o mundo corporativo está sofrendo com a falta de pessoal capacitado (apagão de talentos) e as vagas oferecidas necessitam ser preenchidas com rapidez, muitas empresas desenvolveram e vem aplicando uma nova política de QI.

Em síntese, este QI significa: “indique alguém para trabalhar conosco”.

Este tipo de conduta vem sendo adotada pelas corporações para o preenchimento de vagas com pessoal capacitado para todos os cargos, executivos ou não.

Pesquisas realizadas pela consultoria Deloitte Touche Tohmatsu mostraram que, em 2009, 44% das corporações usavam este procedimento, percentual este que subiu para 68% nos dias de hoje.

Para Fabio Mandarano, gerente de capital humano da referida consultoria, este procedimento é uma boa alternativa para encontrar os profissionais desejados.

E aqui cabe uma indagação: o que fazer para ser indicado?

Simplesmente ter QI, o primeiro do título do texto.

Quando eu indico alguém para uma determinada função, é porque sei das suas capacidades e competências. E, aqui, a recomendação substitui o “padrinho” ou “pistolão”. Esta é a diferença.

Entretando, para que você seja indicado por alguém, você necessita mostrar a que veio. Analise esta situação: você se considera preparado, já fez cursos de aperfeiçoamento, MBA, fala fluentemente um segundo idioma e ninguém lhe indica. Já se perguntou o por quê? Porque você pode estar “invisível” para o mercado.

Ao se tornar “visível”, você tem chances de ser indicado. E esta visibilidade vem através de sua rede de relacionamentos.

Ruy Leal, em seu livro Condutores do amanhã, afirma que “cerca de 80% das melhores oportunidades de trabalho oferecidas pelas organizações são preenchidas pelo famoso QI, ou seja “quem indica”.

Quando alguém lhe indica para o preenchimento de uma vaga em aberto, este alguém está dando o seu próprio testemunho a seu favor. Ou seja, ele está afirmando ao empregador que você é a pessoa indicada para aquela função.

Por isso, trate sua rede de relacionamentos como se fosse uma planta que precise ser regada todos os dias para produzir frutos.

Finalmente, o $ do título significa ganho.

Muitas empresas tem adotado a seguinte política: o colaborador indica alguém para preencher uma vaga; se o indicado for aprovado e se tornar um colaborador da empresa, aquele que indicou será recompensado.

Geralmente esta recompensa é um bônus em dinheiro que fará parte do seu próximo holerite.

Para aqueles mais jovens e em início de carreira, este bônus poderá ser maior que o seu salário e servirá de agente motivador para que ele melhore sua renda e continue indicando pessoas. Diria que ele é um pseudo headhunter.

Com isto ganham todos. O indicado, pela colocação; o indicador, pelo bônus; e a empresa por contratar um profissional com o perfil desejado.

Para mais, gestores e responsáveis pelos RH também aprovam este procedimento visto que as vagas são preenchidas mais rapidamente e os custos da contratação são extremamente reduzidos.

E viva a política do “ganha-ganha”. Todos ficam felizes e satisfeitos.

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2 Comentários

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  1. Avatar of Rafael de Oliveira Paiva
    Rafael de Oliveira Paiva 29/12/2011 às 18:22 #

    Possuir o QI (quem indica) não cai do céu, cada indivíduo precisa buscá-lo de forma inteligente, também não adianta se auto-promover se não possui as qualidades o suficiente para concorrer a vaga pretendida, pois este será frustrado, ou caso consiga passar por essas fases, isso será percebido logo no emprego.
    Muitos candidatos (quase todos), sempre que são indicados aproveitam o “empurrão” e trazem um currículum que mais parece um cardápio de boas qualidades, ou seja, pensam que a quantidade de informações vai influenciar em alguma coisa mais do que realmente ele esta apto a colaborar com a empresa. Então é de se desconfiar dessas qualidades, mas não necessariamente se deve ter vista grossa, pois há exceções.
    Essa opção que as empresas estão adotando é a mais certa de todas as alternativas, pois só quem as conhece e sabem das suas qualidade são as que convivem com elas. Concordo também com a postura das empresas em bonicar quem indicou, pois assim ela passará a indicar as pessoas certas, caso contrário não haverá recompensa.

  2. Avatar of Luiz Roberto Fava
    Luiz Roberto Fava 30/12/2011 às 12:27 #

    Prezado Rafael,
    Se existe uma coisa pela qual batalho é que as pessoas sejam felizes de forma integral, holística. e ser feliz no trabalho é apenas um aspecto.
    Particularmente gostei muito em saber que uma nova forma de contratação das pessoas está começando a ser feita.
    E que a equação que dá título ao texto pode contribuir para as pessoas serem mais felizes.
    Grato pela sua participação e um feliz 2012.
    Abraços,
    Fava

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