Dança das Cadeiras

Alguns dias atrás estava lendo a seção “Percurso” da revista Melhor e percebi que este tipo de notícias tem vários nomes, dependendo do jornal ou revista em que é publicada: Trapézio, Alto escalão, Dança das Cadeiras, etc. Isto nada mais é que o transito das pessoas que trocam de empresa. Exemplo: Fulano de Tal deixa a diretoria de RH da empresa X para assumir a vice-presidência de RH para a América do Sul da empresa Y.

Isto é uma realidade. Uma pesquisa conduzida pela consultoria Robert Half com mais de 3 mil ,profissionais de média e alta gerência em 13 países mostrou que, no Brasil, 40% dos executivos pensam em mudar de emprego. Este número é o segundo maior do mundo, perdendo apenas para a França, onde este índice chega a 45%.

E aí eu me lembrei daquele jogo, também chamado dança das cadeiras. Você lembra? Formava-se um círculo de cadeiras com os assentos virados para fora e onde o número de participantes determinava o número de cadeiras. Com 10 participantes, por exemplo, colocava-se 9 cadeiras. Punha-se uma música para tocar e todos deveriam dançar em volta delas. Quando esta parava, todos deveriam sentar. É claro que sempre um participante não se sentava e era eliminado da brincadeira. E assim o jogo continuava até que sobrassem dois participantes e uma cadeira. O vencedor era aquele que conseguisse se sentar na última cadeira quando a música parasse de tocar.

Tenho a certeza que, em algum momento de sua vida, você participou desta brincadeira.

Outra variação deste jogo é a “Dança das Cadeiras Cooperativas”. Neste jogo coloca-se, em círculo, um número de cadeiras menor que o número de participantes. O objetivo do jogo é que, ao seu término, todos os participantes deverão estar sentados. A música é colocada e todos devem dançar em volta das cadeiras. Quando ela para, todos devem se sentar seja nas cadeiras, no colo uns dos outros ou de qualquer outra forma criado por eles. A seguir, algumas cadeiras são retiradas, mas nenhum participante sai do jogo, e a dança continua.

O importante é a percepção de que algo pode ser mudado dentro de nós, seja na maneira de pensar, seja no nosso comportamento. Assim, ficar bem próximo às cadeiras denota visão de escassez. Irem todos na mesma direção significa não assumir riscos. Esperar a parada da música demonstra preocupação ou tensão. Dançar “travado” mostra bloqueio da espontaneidade. Finalmente, ter pressa em sentar revela medo de perder.

A idéia é que, à medida que estes hábitos possam ser mudados, novas “visões” podem ser aprendidas, como por exemplo:

  • ver as cadeiras como ponto de encontro significa visão de abundância:
  • movimentar-se em todas as direções mostra flexibilidade, auto e mútua confiança;
  • curtir a música denota o viver de forma plena cada minuto: e,
  • dançar livremente significa ser você mesmo.

Só que agora eu vou lhe propor uma nova “dança das cadeiras”. Veja os modelos abaixo e onde cada uma corresponde a um degrau da hierarquia corporativa. Mas cada uma delas conhece toda a sua vida profissional até este momento, seu perfil, os resultados que você já conseguiu, seus saberes, seus pontos fortes e fracos, seu comportamento, etc. Se duvidar elas sabem mais de você do que você mesmo.                                              

Chão de fábrica

 

Supervisão

 

Gerência

 

Diretoria

 

Vice-presidência

 

Presidência

 

O objetivo deste jogo é saber se a cadeira que você quer se sentar será a mesma que vai para a sua frente quando a música parar de tocar. Quando a música começar, serão as cadeiras que dançarão à sua volta.

Agora imagine: sua meta é sentar-se na cadeira de vice-presidente. Você acha que possui todos os requisitos para isso. Mas quando a música para, a cadeira que está à sua frente é a de gerente.

Você se decepciona, é claro. Mas lembre-se que cada uma delas lhe conhece a fundo.

Muitas vezes acreditamos que estamos preparados para assumir novas funções e novos desafios, quando a realidade nos mostra que ainda não estamos prontos para tal.

A verdade é que nunca estamos completamente prontos. O mercado atual, globalizado, cada vez mais mutável e instável, exige cada vez mais novas qualificações profissionais para atender sua demanda. E, quanto mais nos preparamos, mais teremos que nos preparar. Este é o jogo. Esta é a atual “dança das cadeiras”.

E como em toda dança é necessária a música, este é o momento que você tem para responder três perguntas:

- Você está ouvindo a música?

Isto significa estar atento às demandas do mercado, às novas oportunidades e novos desafios que surgem a cada dia.

- Você sabe de onde vem a música?

Isto significa qual setor ou empresa está necessitando de profissionais como você. De nada adianta você ser um engenheiro super qualificado se a música que toca não vem da área da engenharia, por exemplo.

- Você sabe dançar confirme a música?

Isto significa que você deve preencher todas as exigências que o cargo necessita. É aqui que você deve mostrar todas as suas competências e potencialidades para buscar os resultados almejados pela empresa.

De nada adianta você ser um exímio dançarino de tango se a música que está tocando é samba.

Por isso esteja sempre preparado para responder as três perguntas. Porque serão as respostas dadas que farão a cadeira dos seus sonhos para a sua frente.

Mas, atenção! Se você não escutar a música, não souber de onde vem a música ou não souber dançar conforme a música, sinto muito. Você vai é ficar tomando um belíssimo chá de cadeira.

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  1. Blog sobre Qualidade de Vida | Blogs Corporativos e Profissionais - 01/06/2010

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