Inflação dos serviços, projeções & FMI revisa para baixo suas projeções de crescimento mundial em 2011 e 2012. Quais os impactos para o Brasil?
A inflação de serviços no Brasil tem se apresentado sistematicamente acima do resto da inflação nos últimos anos e desde meados de 2010 há uma aceleração em seus preços. Isso se deve a mudança social causada pelo aumento de renda das classes mais baixas e a um reflexo de um mercado de trabalho excessivamente apertado aliado a uma piora das expectativas de inflação.
Conforme apontado no último Relatório Focus, a projeção para o IPCA deste ano passou de 6,45% para 6,46%, enquanto as expectativas para 2012 seguiram sua trajetória de alta das últimas semanas, subindo de 5,40% para 5,50%. A expectativa de crescimento do PIB de 2011 mostrou ajuste para baixo, de 3,56% para 3,52%, e de 3,80% para 3,70% em 2012. As projeções para a taxa de câmbio, por sua vez, mostraram elevação de R$/US$ 1,60 para R$/US$ 1,65 para o final de 2011 e ficaram inalteradas em R$/US$ 1,65 para o final de 2012. Por fim, as expectativas para a taxa Selic em 2011 foram mantidas em 11,00%; as de 2012 passaram de 11,00% para 10,75%.
De outro lado, o Fundo Monetário Internacional baixou suas previsões de crescimento da economia mundial, que continua lento em função de sua considerável fragilidade. A instituição indicou em suas previsões semestrais reunidas no relatório de Perspectivas WEO (World Economic Outlook) que, se os dirigentes ocidentais mantiverem seus compromissos, o crescimento da economia mundial poderá alcançar 4,0% em 2011 e uma cifra similar em 2012.
No entanto, previu que, se o compromisso não for mantido, Europa e Estados Unidos poderão voltar a entrar em recessão.
Para o Brasil, o FMI fez uma revisão para baixo da perspectiva para este ano, que caiu de 4,1% para 3,8%. Para 2012, o FMI manteve a previsão de crescimento de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Segundo o relatório, o Brasil terá o segundo menor crescimento na América do Sul neste ano, ficando atrás somente da Venezuela (com previsão de 2,8%) e abaixo da média da região, de 4,9%. Pra o Brasil fica o recado para incentivar rapidamente o progresso e reconstruir a parte fiscal. Segundo economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, chamou a atenção para a necessidade urgente de medidas substanciais no sentido de melhorar as perspectivas econômicas globais e diminuir os riscos. Assim, ele apontou as políticas fiscais, a reparação financeira e o equilíbrio externo como fundamentais para uma recuperação mais robusta.
“A atividade se debilitou consideravelmente”, assinalaram os economistas do FMI, recordando que foi “surpreendentemente frágil durante o segundo trimestre”. O FMI se mostra particularmente preocupado com o Ocidente. Em relação a junho, as previsões foram fortemente reduzidas para os Estados Unidos. O crescimento da principal economia mundial apenas chegará a 1,5% em 2011 e a 1,8% em 2012, escreve o FMI em suas previsões difundidas antes da assembléia da instituição esta semana.
No caso da Europa, as perspectivas são de 1,6% de crescimento em 2011 contra os 20% previstos até agora.
Na Ásia, o crescimento mundial será impulsionado principalmente pelos países asiáticos em desenvolvimento, que poderão crescer até 8,2% este ano e por outras economias emergentes. Não estão previstas melhorias até o fim de ano nem para o início de 2012, segundo o FMI, que prevê “um crescimento fraco em curto prazo”. O Fundo insistiu que se as promessas dos dirigentes políticos ocidentais não forem cumpridas e os mercados se virem ainda mais sacudidos, “as grandes economias em desenvolvimento poderão voltar à recessão”.


Publicado em: 21/09/2011







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