Artigo escrito por:


Avatar of Thiago Flores

Thiago Flores - já publicou 95 artigo(s) no blog Economia & Finanças, por FFConsult.


Administrador – EAESP-FGV, Mestre em Economia de Negócios – EESP – FGV, Mestre em Finanças – IBMEC/INSPER – SP, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas e CFO à FF Consult ® | Website | Twitter | Facebook | Blog | YouTube | ffconsult@ffconsult.com | Skype: FF_Consult

Marcação a mercado: reconhecimento do valor real do fundo ou desvalorização?

Divulgue este artigo nas redes sociais:

A “marcação a mercado” é uma regra que obriga o fundo de investimento a divulgar diariamente o valor exato de mercado dos títulos que compõem o fundo. Se os ativos da carteira não forem correspondentes ao valor de mercado, as cotas podem não estar refletindo o patrimônio real do fundo.

A marcação a mercado significa colocar os ativos que existem no fundo a preços reais. Alguns administradores vinham contabilizando os papéis da carteira pelo seu valor nominal. Fazendo uma analogia, é como se você verificasse que na tabela de preços do jornal de domingo, o seu automóvel vale 20 mil, mas na verdade, o valor de mercado do carro é 18 mil. Para efeitos contábeis, esses bancos disponibilizavam os títulos que compunham a carteira pelo seu valor nominal, gerando uma rentabilidade irreal.

Em fevereiro de 2002, o Banco Central (BC) determinou novas regras de marcação a mercado, estipulando o mês de setembro como prazo limite para os gestores finalizarem os ajustes necessários à adequação dos fundos de investimento. No entanto, no dia 29 de maio, a data final para o ajuste foi antecipada para 31 de maio. Os gestores que ainda não tinham feito totalmente o ajuste das carteiras dos fundos foram obrigados a fazer a adequação integral em dois dias.

A marcação já deveria estar sendo praticada. Como a maioria dos administradores não vinha fazendo isso, o Governo estipulou setembro como prazo. Os gestores ainda não tinham se adequado às novas regras esperando melhores condições de mercado, o que poderia gerar uma boa rentabilidade para os fundos nesse período. No entanto, os papéis de longo prazo do Governo, que compõem a maioria dos fundos de renda fixa, começaram a se desvalorizar. O Banco Central percebeu que se não antecipasse essa medida o pequeno investidor, ou mesmo aquele menos informado, poderia ser prejudicado, já que o cotista mais experiente poderia sacar seu dinheiro antes, deixando o prejuízo para quem ficou no fundo.

Por isso, o BC obrigou todos a fazerem as adequações ao mesmo tempo.

De um modo geral, os fundos de renda fixa foram os mais afetados pela marcação a mercado. No entanto, gestores e administradores consideram que os prejuízos foram apenas contábeis.

Com a antecipação da marcação todos os papéis foram colocados a preços reais de mercado. Os bancos cujos papéis estavam com o valor não corrigido tiveram suas cotas mais afetadas. Não houve um prejuízo, nem mesmo para o cotista. O que aconteceu foi a correção dos ativos, ou seja , um reconhecimento do valor real do fundo naquele momento, e não uma desvalorização.

Não é preciso desaplicar o dinheiro do fundo de renda fixa por causa da decisão do BC. Para quem permaneceu ou mesmo pretende investir em um fundo de renda fixa, o resultado do investimento vai depender da variação do mercado. Com a nova normatização, o investidor que adquirir a cota de um fundo estará pagando o preço justo por ela, não havendo prejuízo para o cotista.

A estrutura dos fundos de renda fixa continua a mesma. São aplicações constituídas por Fundos de Investimento Financeiro (FIF) ou Fundos de Aplicação em Cotas (FAC). O patrimônio é aplicado em títulos públicos, emitidos pelos governos federal, estadual e municipal, e privados de renda fixa, emitidos por bancos e empresas. As taxas que corrigem esses títulos são pré ou pós-fixadas. Os chamados Fundos DI são os que acompanham o CDI basicamente com títulos públicos. Os fundos de renda fixa também podem comprar títulos privados, como o CDB e os debêntures. Existem ainda os fundos de renda fixa mais agressivos que utilizam os Hedge Fund ou Fundos Derivativos. Para os fundos de pensão, que também têm componentes de renda fixa, a marcação a mercado também apenas reconhecerá o valor real do fundo.Nada mudou do ponto de vista de risco. O fundo de renda fixa tradicional continua sendo conservador e seguro. No entanto, agora essas aplicações estão sujeitas a valores reais a cada dia, pois têm liquidez diária. Os administradores precisam verificar, diariamente, quanto valem realmente os ativos que compõe aquele fundo.

Be Sociable, Share!

Nenhum comentário ainda... Seja o primeiro a deixar uma resposta!

Deixe uma Resposta

Você deve estar logado para fazer um comentário.

Faça seu cadastro na Rede O Gerente. O processo é rápido e gratuito .

Google Analytics Alternative