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Denilson Lima - já publicou 1 artigo(s) no blog Carreira Profissional.



Diploma garante emprego?

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É muito interessante observar o ambiente universitário, já que ele é uma cópia em miniatura do dia-a-dia corporativo. Só os alunos muito desatentos não percebem que simplesmente repetem na vida acadêmica tudo aquilo que vivenciam e executam nas empresas e vice-versa.

Avaliações periódicas – as temidas “provas” – vez por outra são vistas com desconfiança, pois seus resultados não seriam um retrato daquilo que realmente foi apreendido pelo estudante; os trabalhos, geralmente por serem extras, são negligenciados por serem “cansativos, chatos, repetitivos” e, por essa razão, tornam-se os alvos preferidos de pesquisas cibernéticas rasas e desconexas nos grandes buscadores. Temas interessantes acabam se transformando em colchas de retalhos de artigos diversos, de autores com linhas de pensamento contraditórias, e blocos de texto sem nenhum alinhamento por parte de quem pesquisa.

Até as conclusões são emprestadas de outros trabalhos, mudando-se uma ou outra palavra numa tentativa clara de enganar os avaliadores. Isso implica também na utilização de alguns sites de inutilidade pública que prestam o desserviço de disponibilizar teses e pesquisas já prontas, acessíveis aos preguiçosos de plantão por precinhos camaradas. Dessa forma, a cada nova safra de estudantes que deixam para trás os muros das faculdades e universidades, mais e mais pessoas totalmente despreparadas irá concorrer a postos de trabalho que não conseguirão preencher, já que serão vencidos facilmente por aqueles que fizeram exatamente o contrário. Um erro freqüente de muitos formandos – e até formados – é acreditar que as tecnologias desenvolvidas para colar nas provas e burlar a vigilância dos professores irá garantir bons resultados no mundo real, pois pensar assim já demonstra que o candidato nunca saiu do mundo dos sonhos. Na prática, a teoria é outra.

Quais são os reflexos disso no ambiente corporativo? Trainees que não possuem e não conseguem desenvolver perfil gerencial, analistas que não conseguem montar análises e nem ler seus resultados, médicos que cometem atrocidades nos hospitais, contadores que burlam o Fisco e levam empresas à ruína, operadores de Direito que ficam anos e anos tentando passar no Exame da OAB e só o fazem com o auxílio de cursos preparatórios! Para ilustrar esse triste cenário, basta lembrar que o último Exame da Ordem reprovou quase 90% dos candidatos, um recorde histórico desde a unificação nacional dos testes.

Aviso aos navegantes: as provas e avaliações também estão presentes no dia-a-dia das corporações, não importa o tamanho delas. O pulo do gato, então, continua sendo a QUALIFICAÇÃO; tornou-se mandatório analisar a própria formação, ficar antenado às novas necessidades do mercado, reciclar os próprios conhecimentos e enxergar nichos pouco explorados ou especialidades que podem passar da base para a crista da onda. Dá trabalho? Sim, sem dúvida. Custa caro? Talvez, dependendo do horizonte a ser explorado e da própria visão estratégica do profissional.

Para aqueles que acham que o diploma universitário é o passaporte dourado para o mundo corporativo, seguem dados pouco animadores: no ano de 2006 o Observatório Universitário, um instituto de pesquisas, cruzou e comparou informações do Censo do IBGE de 2000 e chegou à constatação de que uma parcela de 53% dos formandos no Brasil atuam em áreas diferentes de sua formação. O maior êxito foi dos estudantes de Enfermagem, com 84% dos formados trabalhando na área. O tal certificado, então, quando muito apenas garante um lugar na fila de espera por uma vaga interessante. E essa fila não pára de crescer, inclusive para os mais preparados.

Outro detalhe importante: frequentar os bancos universitários apenas para satisfazer aspirações e vontades alheias ou o curso que terminará mais rápido,  nunca foi e nunca será uma alternativa saudável; perder anos de vida em algo com o qual não se tem afinidade ou vínculo ideológico é a receita certa para o surgimento de trabalhadores descontentes, infelizes e de mente cauterizada, que não conseguem se adaptar aos novos tempos e vivem estacionados atrás de balcões e pilhas de papel, em mesas de trabalho mofadas. São trabalhadores que não saem do lugar, meros especialistas em desentortar pregos ou bater carimbos, maltratando clientes e destruindo bons negócios.

Há algumas variações: certa vez conheci uma executiva de alto escalão, candidata direta à sucessão na Presidência de uma empresa familiar, que até estudou (mais por imposição do que por vontade própria) mas não conseguia – ou não queria – tocar o negócio para a frente, preferindo só colher os frutos. Pegou o bonde andando e somente aproveitava a boa maré, negando-se terminantemente a renovar as políticas de gestão de pessoas do grupo. A RP (“Rádio Peão”) sempre noticiava que, quando o patrono falecesse, a filha iria chorar, lamentar…mas logo que surgisse uma boa oportunidade, venderia a galinha dos ovos de ouro para ter mais tempo de sobra para seus hobbies.

Estudar é coisa muita séria: trata-se de traçar rumos e definir destinos, pelo menos para aqueles que querem realmente ser úteis à sociedade, produzindo e disseminando saberes novos para modificar a realidade. Se você ainda não sabe o que está fazendo na faculdade ou por quê precisa estudar, pare e reflita. O “tenho que” é uma motivação tal qual a fome para a barriga vazia: uma vez saciada, tende a trazer a sensação de bem-estar e moleza. Não inicie cursos porque dizem que “você tem que”; procure descobrir o que realmente te incomoda e instiga.

O aprendizado não pode morrer ou atrofiar por falta de uso. Como disse o físico Albert Einstein, “a mente que se abre a uma nova idéia, jamais volta ao seu tamanho original”.

Aprenda, reflita, reconstrua, ensine e cresça!

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Uma resposta para “Diploma garante emprego?”

  1. Avatar of Max Micheloni

    Posso citar aquele velho ditado, não é a escola que faz o aluno, o aluno é que faz a escola. Hoje temos profissionais despreparados no mercado, porém isso não depende apenas da instituição de ensino, e sim da própria pessoa. Entendo que o que forma o profissional é o mercado de trabalho, por isso acredito que o estágio no momento do curso é extremamente importante. A “marca” da universidade infelizmente hoje, ainda para algumas pessoas que contratam vale muito, porém, puder ver na prática ótimos profissionais de instituições menos reconhecidas e profissionais medíocres que estudaram em grandes universidades. Em resumo, as ferramentas para o aperfeiçoamento estão disponíveis independente da isntiutuição, resta apenas a pessoa utilizá-la.

    Max Micheloni
    http://www.goliveproject.com.br
    http://www.goliveproject.com.br/2011/06/o-que-e-valioso-para-o-mercado.html

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