O dia em que o leão me ensinou que mais vale ter um plano eficiente
que estar motivado
Foi assim. Dois caçadores acordam e percebem que a sua barraca estava sendo
rodeada por um leão com cara de poucos amigos e uma fome de faquir após 30 dias
de jejum. Um deles decide sair correndo e só se deteve alguns segundos por
estranhar que o amigo aparentando calma calçava o tênis.
- “Escuta cara, você nessa calma vai ficar aí amarrando o tênis? Qual é o teu
problema”
Enquanto saía desembestado selva adentro ouviu a resposta:
- “Meu caro amigo, o meu problema é ser mais veloz que você, só isso!”.
A
historieta enseja várias conclusões. Eis algumas:
- Um incompetente motivado continua sendo um incompetente.
- Uma pessoa competente sem um plano eficiente age, naquela situação, igual ao
incompetente.
- Às vezes um plano é mais útil que toda motivação do mundo.
- Se plano, competência e motivação andarem juntos e simultaneamente, melhor
ainda.
Confio que o leitor terá seus insights e enriquecerá o sentido pedagógico do
conto. Enquanto isso, permitam-me expor meus argumentos. Quer dizer afora os
quatro acima citados.
Fosse eu um filósofo argüiria que a motivação não é condição suficiente para
o sucesso de uma empreitada. Ela pode ser uma condição necessária. Porém, nem
sempre é preciso estar motivado para ser eficaz.
O caçador com tênis teve uma percepção mais elaborada e completa da situação
e das possibilidades que ela encerrava. O seu colega só foi dominado pelo
instinto de sobrevivência. Talvez raciocinasse que a sua motivação de sair
correndo fosse suficiente para minimizar o risco. Quem sabe?
O certo é que avaliou mal as dificuldades de executar seu plano com os pés
desprotegidos de tocos de árvores, pedras, espinhos etc. Pelo seu cálculo
assumir, a dianteira aumentaria a sua chance de safar-se do perigo.
Ele avaliou que calçado e provisoriamente na dianteira ele potencializava a
sua capacidade de sair com vida da terrível situação. Primeiro, porque o amigo
distrairia o leão. Segundo, porque com os pés protegidos ele não tardaria em
ultrapassar o outro.
Não sei como terminou a aventura, mas sei que sem uma visão objetiva,
racional e holística da situação e sem um plano eficiente a adversidade aumenta.
Com ambos requisitos, a probabilidade de sermos bem sucedidos aumenta apesar da
adversidade.
Também sei que na medida em que a prática (execução) corroborar a teoria
(plano) a motivação dispara. É o que chamo de motivação causada pelo resultado
que é uma modalidade desprezada pela teoria convencional.
Vou repetir: o ideal é que motivação, plano e competência andem juntos.
Porém, na vida real não podemos nos dar ao luxo de desdenhar tarefas que nos
motivem menos. Uma atitude dessas denota imaturidade e baixo senso de
profissionalismo. Digamos que antes a realidade, em seguida o dever e, por
último, a sobremesa.
Com a motivação pode acontecer o mesmo. Ela vem em função de uma visão
realista da situação que nos faz agir eficazemente. Quanto mais fazemos e quanto
mais vitórias (mesmo que pequenas) acumulamos na atividade, mais motivado
ficamos.
Então, amigos, um plano na cabeça e mão na massa.