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Terceirização da Logística de Distribuição

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Logística

Logística
24/10/2008
Terceirização da Logística de Distribuição
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“As atividades de distribuição, que ocorrem após a produção são as áreas de negócios infelizmente mais desprezadas e mais promissoras na América”.

A frase acima, de Peter Drucker, retrata bem a importância dada pelas empresas em geral ao processo de distribuição. Terceirização da logística de distribuição é o processo de gestão pelo qual se repassam as atividades de distribuição para empresas especializadas, com os quais se estabelece – obrigatoriamente – uma relação de parceria.

Muito ouvimos de operadores logísticos, que o objetivo da terceirização das atividades de logística e transportes é que a empresa possa ficar concentrada apenas em tarefas essencialmente ligadas a atividade fim ao negócio em que atua. Na verdade, isso é apenas uns dos benefícios da terceirização. A atividade fim de qualquer empresa é o lucro, pois sem este não existe empresa. Para tanto não basta apenas terceirizar, se essa terceirização não gerar redução de custos e/ou agregar valor ao produto da empresa contratante.

Algumas vantagens da terceirização:

  • Gera a desburocratização, simplificando as atividades logísticas;
  • Alivia a estrutura organizacional;
  • Melhora a qualidade dos serviços, como tempo de entrega, redução de avarias, segurança da carga;
  • Gera a economia de recursos: Humanos, materiais, econômicos e financeiros.

A terceirização vem a ser um casamento entre a empresa fornecedora
do serviço e a empresa que a contrata, sendo que esta união só irá se
concretizar se ambos entenderem que as duas empresas precisam de lucro e que o objetivo principal é o de atender e satisfazer o cliente final. De nada adianta concretizar um negócio por um “preço recorde” em que o prestador não consiga contemplar todos os custos, inclusive os financeiros, e ter lucro. Sem isso ele não conseguirá sobreviver, tão pouco investir na manutenção de uma operação de excelência.

Para que haja a terceirização deve ser prestado um serviço no mínimo igual, ou melhor, do que a empresa executa internamente, a um preço justo. Deve ser exigido da terceirização rapidez, qualidade, e execução em um tempo satisfatório. O fornecedor de serviços não pode ter no seu cliente sua única fonte de renda, sendo assim as partes deve se comportar como de fossem sócios. Para que isso tudo aconteça, cabe ao contratante estabelecer alguns pré-requisitos que lhe permitem optar pela melhor empresa especializada, contratada de acordo com suas necessidades: como capacidade de absorver as atividades a serem terceirizadas, lista de clientes e tipos de trabalho desenvolvidos, número de funcionários e técnicos habilitados para a prestação de serviços, capacidade empreendedora, uso de tecnologia e busca de aprimoramento. Com relação às atividades terceirizadas: treinamento e desenvolvimento do seu pessoal e política de treinamento de funcionários do contratante, metodologia de trabalho com ênfase na transferência de tecnologia se for o caso, processos e programas de qualidade e produtividade empregados em atividades assemelhadas a serem controladas, flexibilidade e agilidade do prestador de serviços em se adaptar as condições do cliente, responsabilidades no cumprimento de prazos, números de funcionários alocados, equipamento e materiais envolvidos.

O Contrato

Definido o prestador de serviço, deverá obrigatoriamente ser proposto a assinatura de um contrato, que dará o aspecto formal à relação entre as partes.

Com a prática da terceirização a formalização contratual se torna um
instrumento de apoio e suporte da operação, responsabilizando o prestador de serviços, estabelecendo regras de relacionamento, e dando uma base
juridicamente adequada à relação. Devem-se definir bem as obrigações e
direitos de ambos (contratante e contratado) bem como atividades fins, porque devem diferir para que não haja vínculo empregatício. Não deve haver
posicionamento equilibrado para que não haja subordinação de uma parte ou
outra, é sempre bom incluir no contrato, uma cláusula prevendo o risco do
tomador de vir a ser interpelado judicialmente por uma obrigação trabalhista
não cumprida pelo prestador, nesta mesma cláusula o contratante poderá
interpelar judicialmente o prestador para que haja ressarcimento dos prejuízos.

Por isso o contrato de prestação deve conter Introdução, objetivo, as partes
envolvidas, obrigações, participação das partes, prazo de vigência, preço no
período, condições de reajuste, forma de pagamento, execução das tarefas, as técnicas, uso tecnológico, treinamento e desenvolvimento, parâmetros de
medição da qualidade, itens de controle operacional, forma de rescisão,
garantias, risco responsabilidade das partes, reparação de danos, inovação
tecnológica e redução de custos para garantir aumento de competitividade, o
foro, assinaturas, data, e testemunhas. O percentual de negócios que envolvem contratos ainda é muito pequeno, e isso se deve muito por parte dos transportadores, que muitas vezes não percebem que o contrato também é vantajoso para a contratada, pois é possível determinar prêmios, faturamento mínimo, exclusividade, entre outros.

Operadores Logísticos

O operador logístico é um fornecedor de serviços logísticos integrados
(transporte, armazenagem, gestão de estoques, informação) que busca atender com total eficácia as necessidades logísticas de seus clientes de forma individualizada. A tendência rumo a uma maior competitividade nesse mercado global, está forçando as empresas a desenvolverem estratégias para adequarem seus produtos para competirem com mais eficácia e eficiência, maximizando os recursos no processo produtivo. A logística dessas organizações deve ser orientada de fato como um elo que perpassa estrategicamente pelas áreas da empresa e, desta forma, ser uma importante ferramenta para nortear os planos corporativos, que visam gerar ativos como resultados finais. E nesse processo existe a figura dos operadores logísticos como uma tendência de logística empresarial moderna suprindo as demandas de forma integrada e personalizada. Esses operadores podem ser baseados em ativos como também em informação e gestão. Os primeiros são aqueles possuidores de investimentos em transportes, armazéns, máquinas e equipamentos diversos. Já os últimos são aqueles que vendem conhecimento, ou seja, tem know how de gerenciamento das operações logísticas. Esse surgimento pode se dar tanto pela ampliação de serviços quanto pela diversificação das atividades.

No entanto, a decisão de terceirizar cabe a alta administração, conforme
suas estratégias de negócios. Porém, isso não se dá de forma tão simples. São necessárias definições quanto a fazer internamente ou fora da empresa. No caso de se pensar em contratar o operador, o que vem a cabeça é a redução de custos e a melhoria do nível de serviços, pois permite ao contratante reduzir seus investimentos em ativos, ter o foco centrado no seu negócio, uma maior flexibilidade operacional, redução dos custos de armazenagem, estocagem, frota e tecnologia da informação. Em contrapartida, verticalizando essas ações permitem aumentar o controle sobre as operações, avaliar e monitorar todo o processo de uma forma mais eficiente. No Brasil, estudo sobre Prestadores de Serviços Logísticos (PSL), realizado conjuntamente pela Associação Brasileira de Logística, Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Associação Brasileira de Movimentação e Logística, e publicado na revista Tecnologística (fevereiro / 1999) define operador logístico como sendo “o fornecedor de serviços logísticos nas várias fases da cadeia de abastecimento dos seus clientes e que tenha competência para, no mínimo, prestar simultaneamente serviços nas três atividades básicas de controle de estoques, armazenagem e gestão de transportes. Os demais serviços, que por ventura sejam oferecidos, funcionam como diferenciais de cada operador”. O operador logístico veio para atender a uma necessidade imposta pelo mercado consumidor que procura organizações ágeis, em resposta para atender a uma demanda que pode surgir a qualquer momento e em qualquer lugar.

Toda a organização que tem um planejamento estratégico e deseja adotar uma abordagem inovadora para serviços logísticos, deve contratar um operador logístico para manter e ampliar sua vantagem competitiva.

A terceirização da operação logística nas empresas brasileiras, já é uma
realidade. A especialização dos PSL tem atraído cada vez mais embarcadores, que delegam esse serviço a terceiros, para focar em seu core business, ganhar competitividade e reduzir custos e ativos. Segundo o único estudo disponível no Brasil, realizado com as 93 maiores empresas brasileiras, que indica como os embarcadores avaliam os operadores logístico e divulgado em 2004, pelo centro de estudos logísticos (CEL), do COPPEAD/UFRJ, que mediu a satisfação dos embarcadores com a terceirização, indica que 81% estão satisfeitos.

O mesmo estudo revela os serviços mais terceirizados pelas empresas (embarcadores) brasileiras:

Transporte de distribuição 89%
Transporte de transferência 81%
Desembaraço aduaneiro 80%
Transporte de suprimentos 77%
Armazenagem 20%

Já as atividades que exigem mais know-how e conhecimento, têm uma
participação ainda muito pequena.

Gerenciamento de transporte Intermodal - 28%
Montagem de Kits 18%
Milk Run 15%
Gestão de estoques 4%

Apesar de todo avanço Registrado no setor de PSL, existem lacunas
que geram muita insatisfação do embarcador em relação ao serviço prestado
pelos operadores logísticos. Ainda sobre o mesmo estudo, das empresas
pesquisadas, 70% já trocaram de PSL pelo menos uma vez. Os motivos da mudança são listados no quadro abaixo:

Má qualidade dos serviços 92%
Preços altos 68%
Pouca capacitação técnica 31%
Fragilidade financeira 24%
Problemas éticos 23%
Questões de segurança 21%

Cabe às empresas contratantes e contratadas formarem negócios com menos oportunismos e que cada vez mais prevaleça a mentalidade de que todos precisam ganhar na cadeia, pois de outra forma, toda a operação pode ser abalada e quem perde é o consumidor final. Que “foco no cliente” não seja apenas um clichê nas entrelinhas da visão das empresas, e sim uma realidade.

 
 
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Colunista
Aécio Dalacorte
 
 
  Especialista em Logística Empresarial e Empresário do Setor
 
 
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