
A BHP e a Rio Tinto anunciaram recentemente uma Joint Venture que criaria uma empresa de minério de ferro de 140 bilhões de dólares. Pelo pensamento tradicional, esta seria uma má notícia para a Vale, atualmente a maior empresa de ferro do mundo.
Analistas dizem, no entanto, que a situação é um pouco diferente, e que esta fusão é benéfica para a Vale.
Em primeiro lugar, o mercado de minério de ferro já é dominado por estas 3 grandes empresas, e a redução de um player torna dá ainda mais poder aos remanescentes para controlar os preços dos produtos.
Em segundo lugar, a chinesa Chinalco estava negociando a compra de parte da Rio Tinto. Isto ajudaria aos chineses (maior mercado de minério de ferro do mundo) a tentar reduzir os preços de importação da matéria prima para suas siderúrgica. Com a concretização da fusão BHP-Rio, isto difícilmente acontecerá.
Enquanto isso, continua a novela da renegociação dos contratos de minério de ferro entre as mineradoras e as grandes produtoras mundiais. Os chineses continuam pressionando para obter um desconto de pelo menos 45% em relação aos praticados no ano passado, mas as mineradoras não querem ceder. As notícias da fusão, junto com as recentes negociações realizadas pela Vale (28,2% de redução para a japonesa Nippon Steel, a coreana Posco, e a anglo-indiana ArcelorMittal) podem colocá-la em uma melhor posição na negociação.
Como fato adicional, também foi noticiado que a dependência da China nas importações de minério de ferro deve aumentar para 70% este ano, contra 50% no ano passado. Muitas minas de pequeno e médio porte estão fechando na China, com o menor custo e melhor qualidade do minério importado.




